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Cidades cicláveis: reinventar o espaço urbano para todos

Blog Cidades cicláveis: reinventar o espaço urbano para todos
A crise da covid-19 estilhaçou todos os nossos pontos de referência e levou-nos a adaptarmo-nos a um "novo normal".  Porque não aproveitar esta oportunidade para fazer da mobilidade em bicicleta uma parte integrante deste novo normal? De 6 a 9 de Setembro, centenas de Velo-citizens irão discutir esta questão na maior conferência mundial de mobilidade em bicicleta, a Velo-city 2021 Lisboa.
A ideia da bicicleta como meio de transporte central não é novidade. No final da Revolução Industrial, as bicicletas tornaram-se acessíveis para a classe trabalhadora. Consequentemente, tornaram-se de forma rápida muito populares para ir trabalhar, à escola ou mesmo de férias. E tal como nos finais do século XIX, a bicicleta poderia agora, uma vez mais, mudar as sociedades em todo o mundo.

As cidades são locais com uma elevada concentração populacional e de atividades económicas, e como tal foram duramente atingidas pela crise do coronavírus. É com frequência que estas têm sido um foco aceso no que toca às epidemias de saúde. Tais crises desencadearam uma melhoria urbana no passado. Por exemplo, a epidemia de cólera em Londres, na década de 1830, levou à adoção de um sistema geral de esgotos. Porque não aproveitar a crise da covid-19 como uma oportunidade para repensar a cidade de amanhã, onde a mobilidade em bicicleta assume um papel de liderança?



Como o confinamento obrigou muitas pessoas a trabalhar a partir de casa e a permanecer nas suas áreas de residência, foi criada uma nova dinâmica local. Tal proporcionou a Carlos Moreno encontrar uma nova inspiração para o conceito de cidade de 15 minutos, que visa tornar trabalho, educação, mercearia, saúde e cultura acessíveis a uma distância de 15 minutos a pé ou de bicicleta de casa. Precisamente a fim de se deslocarem em segurança durante a pandemia, muitos optaram por (re)integrar a bicicleta na sua vida diária, uma vez que a sua utilização é perfeita para manter o distanciamento social. Esta 'loucura das bicicletas' levou muitas cidades a melhorar a mobilidade urbana, por exemplo através da criação de ciclovias pop-up ou da oferta de subsídios para bicicletas.

Todos estes desenvolvimentos sugerem que está na altura de criar uma filosofia diferente no que toca ao planeamento urbano. Precisamos de repensar a forma como alocamos o nosso espaço nas ruas e devemos aproveitar a oportunidade de reconstruir as nossas cidades, com base nos princípios do planeamento da mobilidade urbana sustentável que participará numa recuperação dinâmica, na habitabilidade e na luta contra as alterações climáticas. Passar do pensamento e das escolhas individuais de vida à ação colectiva concreta. Trata-se de reinventar em vez de inventar e inspirar-se na utilização histórica da bicicleta, combinando-a com as realidades do nosso tempo. A bicicleta não só responde à atual pandemia, mas também à questão mais premente do nosso tempo: a crise climática. Para inverter a maré da mudança climática e permitir uma recuperação verde, as autoridades e os cidadãos devem trabalhar lado a lado de forma a alcançar uma mudança duradoura. O ciclismo como o novo normal significa que todos os cidadãos podem beneficiar da mobilidade em bicicleta.



Repensar as cidades através da mobilidade em bicicleta na Velo-city 2021 Lisboa


A Velo-city 2021 Lisboa terá o plenário de encerramento "Repensar as Cidades: Mobilidade em Bicicleta como o Novo Normal", acolhendo peritos internacionais para discutir ambientes urbanos inclusivos e diversificados no dia 9 de Setembro.

Conheça os oradores:
 
  • Karen Vancluysen, Secretária-Geral da POLIS desde 2014. Declarou: "Precisamos de colocar a bicicleta à frente e no centro na fase de recuperação verde pós-pandémica em que estamos agora a entrar. Vamos acelerar ainda mais o 'respacing' das nossas ruas da cidade para uma viagem ativa, algo que de em todo o caso já devia ter sido feito há muito tempo".
 
  • Fernando Medina, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Através da sua política, tem demonstrado forte vontade e esforço em conduzir a capital portuguesa para uma cidade mais verde e de dimensão humana.
 
  • Carlos Moreno, cientista franco-colombiano e professor na Universidade de Paris 1. Através da sua investigação traz uma perspetiva inovadora sobre questões urbanas e oferece soluções para os atuais desafios enfrentados pelas cidades, metrópoles e territórios. Alguns dos seus conceitos viajaram pelo mundo, como a Cidade Humana Inteligente, a Cidade de 15min., e o Território de 30min.
 
  • Jeremy Yap, Diretor Executivo Adjunto para os Transportes Públicos, Política e Planeamento, Autoridade de Transportes Terrestres de Singapura. Afirmou que "Ao longo dos últimos anos e ainda mais acelerado pela Covid 19, muitos Singapurenses descobriram as alegrias de caminhar e andar de bicicleta como uma forma saudável e verde de deslocação, e de lazer. Estamos a liderar e a permitir este movimento de mobilidade ativa, a reimaginar o transporte não apenas como um fornecimento de infraestruturas, mas como uma forma de ligar pessoas, lugares e possibilidades".
 
  • Elke Van den Brandt, a Ministra da Mobilidade, Obras Públicas e Segurança Rodoviária da Região de Bruxelas (Bélgica). Está atualmente a trabalhar no Good Move, o Plano Regional de Mobilidade da Capital Bruxelas que visa reduzir o tráfego automóvel em 35% e criar 5 bairros de baixo tráfego todos os anos. 
     
  • Zoran Janković, o Presidente da Câmara de Ljubljana, Eslovénia. Ljubljana está a desenvolver rapidamente a cidade com uma visão clara de criar espaços polivalentes e partilhados e perseguindo o objetivo de colocar a qualidade de vida em primeiro plano.



Por Adèle Saingenest
29 de Junho, 2021

Fontes:
https://www.mdpi.com/2071-1050/13/9/4620
https://www.thefocus.news/lifestyle/cycling-can-be-a-positive-part-of-the-new-normal/
https://www.nationalgeographic.com/history/article/how-bicycles-transformed-world
https://www.bbc.com/afrique/monde-53143296